Os extremos da dualidade

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Os extremos da dualidade

O que escolho trazer de mais valioso em mim é a forma como me expresso diante das consciências que permito receber da vida. São novas jornadas que vivo, e aqui estou, compartilhando mais algumas reflexões intensas que emergem desse processo.

Vou refletir sobre os extremos que habitam em mim e sobre a busca incansável pelo caminho do meio, que nada mais é do que a unificação com o todo. Nessa jornada, é preciso se colocar como um experimento vivo das situações, ser a observadora e ser a própria situação. Não basta apenas olhar. É preciso sentir profundamente!rs

O que significa intimidar?
Ela representa muito do que venho sentindo, principalmente, o quanto eu mesma me intimido. Na vida, nos sentimos intimidados quando nos deparamos com situações em que não nos sentimos preparados. Faltam referências internas, confiança, domínio. E, diante disso, muitas vezes nos perdemos, nos encolhemos, ficamos inseguros ou até fugimos de si.

Com o despertar de novas consciências, percebi o quanto, sutilmente, eu me colocava nesse lugar: o papel de quem se intimida, de quem se diminui diante do desconhecido, do julgamento, da própria luz. Mas reconhecer isso foi o primeiro passo para sair desse ciclo.

Dentro de mim habitam dois extremos. O primeiro, que chamo de Profundidade, é o mergulho em si mesma, cavar fundo, atravessar camadas, tocar as raízes da alma. O segundo é a Expansividade, a capacidade de perceber além do visível, de sentir o universo que pulsa para além da matéria, atravessando dimensões que os olhos não alcançam. Minha forma de viver esses experimentos exige, muitas vezes, uma jornada solitária. É um caminho que pede silêncio, presença e expansão do grau de consciência.

Nessa busca, o desafio é transformar o cérebro em um grande prisma de múltiplas faces, aberto para acolher todas as possibilidades, sem julgamentos, sem culpa, sem a defesa automática do ego. E é justamente nesse ponto que o ego pulsa mais alto, tenta resistir, se defender. É preciso coragem para encarar as sombras e escolher, todos os dias, acalmá-las com consciência, amor e verdade.

Reconhecer essa dualidade em mim foi como desvendar os níveis mais profundos do meu íntimo e perceber o quanto isso me intimidava. Havia um medo silencioso de ser quem eu sou… ou melhor, de assumir plenamente quem eu sou. Mas, para alguém que carrega a paixão de se expressar, de dar voz às próprias verdades, era inevitável: eu precisava soltar o medo, abraçar minha essência e, finalmente, me aceitar.

No processo da profundidade, cheguei a uma conclusão transformadora: é possível converter o caos em beleza. Esse caminho começa quando aprendemos a aceitar as nossas sombras aquelas emoções que bloqueiam o fluxo natural da vida, como a raiva, a sede de poder, a vingança. É um processo de verdadeira negociação com o ego, que muitas vezes acredita estar apenas nos protegendo. A chave está em trazer à superfície memórias e experiências do passado e, com um olhar analítico e compassivo, ressignificar as más interpretações que tivemos. O ponto central é entrar nesse jogo sem julgamento, entendendo que aquelas interpretações foram feitas a partir de um nível de consciência mais limitado do que o que temos hoje. É sobre aceitar que tudo foi como precisava ser naquele momento. Mas, a partir de uma nova consciência, podemos escolher a liberdade das crenças, dos traumas, das prisões invisíveis. O maior ensinamento é: aceitar as sombras e aprender a usá-las a seu favor, como parte essencial da sua potência criadora.

Algo mudou em mim no momento em que aceitei minha natural profundidade. Foi como abrir os olhos para a minha própria capacidade de viver a fé e parar de terceiriza-la na experiência dos outros. Quando falo sobre a “fé dos outros”, refiro-me à tendência de buscar respostas fora, em excesso de informações externas, enquanto o verdadeiro chamado era olhar para dentro.

Passei a praticar mais meditação, criei meus próprios rituais espirituais, construí hábitos alinhados com a minha essência, claro que nesse processo contei com alguns profissionais, família e amigos que compartilharam consciências. Tornei-me um experimento vivo com ações e consequências intensas, mas que, aos poucos, foram me conectando de forma mais íntima com a minha intuição, com a minha alma e com a minha fé verdadeira.

A teoria do professor Hélio Couto foi a técnica que mais expandiu a minha consciência. Ela me permitiu não apenas olhar, mas acreditar profundamente em um mundo além da matéria — e é justamente aí que entra a segunda parte da minha dualidade: a Expansividade. Sim, há uma certa intensidade quando falamos sobre o universo, e por isso, vou dividir essa experiência em dois blocos:

O primeiro ponto trata da Informação da Consciência, que, na minha percepção, é a capacidade de acessar consciências de outras pessoas, objetos, livros e muito mais, um conceito das teorias da Mecânica Quântica. O ensinamento central do Hélio está na limpeza e reprogramação do ego. Quanto mais o ego é limpo, maior é o fluxo de informação que circula em você, tanto no envio quanto no recebimento. Podemos imaginar o ego como a sujeira que entope um cano: quando ele é reprogramado, essa obstrução é removida, e a água volta a fluir naturalmente, assim, como as informações (co-criações, manifestações e as realizações).

Tive uma experiência incrível na prática de acessar uma nova consciência. Fui ao show de uma cantora que se apresentava de forma intensa, aspectos profundos semelhante a minha personalidade. A diferença é que ela consegue se expressar livremente, soltar sua arte, dar voz e forma ao que sente…algo que, até então, eu ainda guardava dentro de mim.

Naquele show, fixei em cada música, gesto e estava concentrada para criar o colapso da função de onda com a aquela cantora. Meu único objetivo era desbloquear a consciência da minha própria artista, para expressar minha verdade com autenticidade e coragem. E foi exatamente isso que fiz. **E deu certo, embora algumas sombras da cantora vieram acompanhadas de catarses que aconteceram nos primeiros dias, significa que tudo tem uma consequência, foi desafiador, mas o resultado…

Isso me permitiu conquistar um espaço maior como profissional e artista, de me preparar para uma palestra para grupos de empresários em São Paulo, além de me abrir novamente para ideias inovadoras com empreendedores, voltar a compor músicas e redescobrir o prazer de escrever. Graças à indicação que tive de dois amigos, para ler o livro Caminho do Artista, consegui desbloquear muitas outras habilidades da escrita.
Vou compartilhar mais detalhes sobre isso em outra postagem.

No segundo bloco, minha percepção se voltou à exploração do espaço-tempo e ao quanto eu ainda me sentia presa ao tempo. A princípio, esse ponto surgiu apenas para que eu entendesse por que não me considerava uma pessoa produtiva no trabalho e o que estava me bloqueando.

No entanto, o tema ganhou uma dimensão muito maior. Conforme fui acessando essas reflexões, minha mente começou a manifestar sinais…entre eles, o filme A Incrível História de Benjamin Button, uma analogia sobre um homem que nasce idoso e regride até a infância. Para mim, isso representou a percepção de que as crianças de hoje já nascem com uma expansão de consciência muito além daquela que tínhamos em nossa infância. Isso revela que não precisamos mais viver em estruturas hierárquicas, nas quais os adultos são os únicos responsáveis por ensinar. Hoje, compreendo que somos todos um, e todos temos algo a aprender uns com os outros.

Outro filme que emergiu nesse processo foi Efeito Borboleta, que explora de forma intensa a Teoria do Caos — mostrando como nossas atitudes no presente podem impactar profundamente todo o ciclo de uma vida. Isso me levou a refletir sobre qual é o meu papel aqui e o que escolho deixar uma herança para o mundo. Na minha visão, quando morremos, o tempo deixa de ser linear — ou seja, não seguimos mais uma sequência de vidas. Dependendo das pendências emocionais que não foram resolvidas nesta existência, morremos vibrando em uma determinada frequência e nos conectamos com uma nova vida que corresponda ao aprendizado que ainda precisa ser integrado. Isso significa que podemos acessar tanto uma vida no passado quanto no futuro.

Essa teoria sugere que a Terra é apenas uma simulação de mundo, onde tudo é vivido de forma material justamente porque essa é a única maneira que temos, de compreender a vida: através de cores, formas e experiências físicas que representam, simbolicamente, o que precisamos aprender. Mas assim como Jesus, o ponto central é compreender que você está na matéria, você não é a matéria. O grande caos dentro de nós surge do apego a tudo isso, às formas, às posses, às identidades e do quanto é desafiador confiar mais em nós mesmos e simplesmente viver o agora. Afinal, quando morremos, nada levamos além das experiências vividas. É isso que permanece, que se expande e evolui com a consciência.

Diante desses extremos, percebi que sou corajosa ao me permitir sentir incômodos e dores e isso me torna uma pessoa intensa, o que, por vezes, pode intimidar os outros também. Sinto como se vivesse várias vidas ao mesmo tempo, como se existisse uma Pamela multiversa, com múltiplas facetas e personas coexistindo dentro de mim. Apesar disso, amo estar cercada de pessoas que provocam a minha mente, me fazem pensar além e, principalmente, me ajudam a desmistificar o meu ego.

Eu não me vejo como alguém que apenas se senta na sala para assistir às histórias e criações dos outros. É claro que me inspiro nelas, mas algo dentro de mim pulsa mais forte, um chamado para criar, para viver, para ser. Me vejo no papel da criadora, da visionária da minha própria jornada. Sou a protagonista do meu próprio filme, que carrega um título poderoso e sagrado: A vida.

Me conta uma coisa…você também vive uma dualidade extrema ou sabe contrabalancear?